quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Afegão oferece chá a um soldado americano

Como disse o filósofo chinês Confúcio: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Recebi essa imagem de um aluno por e-mail, dizendo ele ser a imagem do ano. Não sei o autor dessa foto, nem a procedência, mas quero pensar que realmente seja a imagem do ano 2015. O título dessa imagem é: Afegão oferece chá a um soldado americano.
Depois de uma análise profunda pensei:
Olhando para essa imagem volto a acreditar que esse mundo ainda tem jeito.
Olhando para essa imagem penso que o amor altruísta ainda existe.
Olhando para essa imagem penso que as diferenças podem unir.
Olhando para essa imagem sinto que a paz pode ser estabelecida na Terra.
E você, que sentimento floresce ao ver essa imagem?
Meus sentimentos aflorados foram:
Esperança, amor altruísta, união e paz.
Com essa imagem em mente finalizo esse ano.
No momento exato da virada essa foto será projetada em minha tela mental.
Pois essa imagem materializa tudo que precisamos para 2016.
Esperança, acreditar que é possível, mesmo que tudo mostre o contrário.
Amor altruísta, solidariedade é o sinônimo.
União, unir forças para transformação pessoal.
E a paz, com tudo isso a paz irá brotar em todos nós.
Desejo que as sementes desses sentimentos sejam plantadas em todos.
E que durante 2016 possamos regá-las diariamente.
Para que floresça tudo de melhor em nossas vidas.
Que venha 2016!!
Feliz ano novo para todos.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Presente de natal

Precisamos ressignificar o natal.  
Natal não significa trocar presentes, significa estar presente.
Natal não significa fazer amigo secreto, significa entender seus desejos mais secretos.
Natal não significa Papai Noel, significa Papai do Céu. 
E acima de tudo significa repensar sua existência. 
Feliz Natal a todos!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Constelações

Olhei uma constelação.
Um grupo de estrelas entrelaçadas.
Contemplação foi o sentimento constatado. 
Será que ainda há tempo para contemplar constelações?
Será que o tempo para contemplação existe?
O olhar está fugaz, olhamos apenas por olhar.

Olhar com sentimento, olhar com foco, olhar no olho.
Olhar detalhes, olhar terceira dimensão, olhar molhado.

Olhei um beija flor.
Saboreava o doce néctar da flor.
Liberdade foi o sentimento aflorado.
Será que nossa liberdade foi furtada?
Será que temos as rédeas da nossa vida?
Pensamos que estamos livres, mas na verdade somos prisioneiros da vida.

Liberdade de sentimentos, liberdade de pensamentos, livres de limitações.
Livres dos ilustres sentimentos negativos e dos pensamentos com algemas.

Olhei um velho livro.
Guardado, empoeirado. Gritava socorro.
Curiosidade foi o sentimento aguçado. 
Será que precisamos matar a curiosidade?
Ou será melhor manter a curiosidade para evitar conflitos e constrangimentos?
O excesso de curiosidade é sinônimo de inconveniência e atrevimento.

Curioso para a sabedoria, curioso para saber sobre seus sentimentos.
Curiosidade sobre si próprio. Curiosidade apenas pessoal.

Contemplação, liberdade e curiosidade.
Contemplar os detalhes da vida.
Apreciar a vida com muita admiração.
Com a liberdade teremos independência para tomar iniciativa.
Decidir sobre seus objetivos e caminhos a seguir.
Ter curiosidade para entender os interesses pessoais.
Sendo curioso com nós mesmos encontraremos nosso tesouro.
Nosso poder para a transformação.
Ser uma preciosidade de brilho raro.
E juntos seremos uma constelação.
Guiada pelo Astro Maior.    
Assim atingiremos nosso objetivo.
Inspirar outros a formarem também uma constelação. 


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Gostosuras ou Travessuras?

As gostosuras iludem nossa zona obscura, por isso tanto queremos.
As gostosuras fazem desenvolver as usuras sem censuras.
As gostosuras são conjecturas sem rasuras.
As gostosuras escondem perigo, satisfação imediata.
As gostosuras estão em toda parte, sendo oferecidas a todo momento.
Vivemos os momentos com muita frescura, preocupados apenas com a manufatura.
Somos uma caricatura, a figura do excesso sem bom senso.
Vivemos a desventura, reflexo dos exageros.
Nossa aventura perdeu o rumo, estamos sem prumo, desnorteados. 
E as travessuras?
As travessuras revelam nossa essência infantil.
Travessuras não escodem, relevam.
Travessuras não iludem, mostram a verdade.
Travessuras têm perigo, mas a maior frustração é viver sem travessuras.
Travessuras não camuflam a felicidade, travessura é sinônimo de felicidade.
Travessuras e gostosuras se igualam no bom senso.
Travessuras sem bom senso podem tornar-se uma gostosura.
E as gostosuras sem bom senso podem tornar-se uma travessura transgressora.
Bom mesmo é aproveitar as gostosuras da vida com muito cuidado. 
Pois a presunção e a pretensão podem estregar a doçura da nossa existência.
Bom mesmo é brincar de viver com a vida, as travessuras saudáveis da vida.
Brincar com as crianças nos faz lembrar da importância das travessuras saudáveis.
Essas travessuras transmitem tranquilidade.
Essas travessuras tratam nossos traumas.
Essas travessuras nos fazem transcender e transformar nosso ser.
Viver as travessuras saudáveis da vida com muita gostosura sem frescura.
Sentindo a gostosura da vida, sabor terá a vida.
Transmitir as aventuras e travessuras vividas, traz alegria.
Como será a vida sem travessuras?
Um verdadeiro tédio associado com terror e tristeza.
Por isso pergunto: gostosuras ou travessuras?
Resposta: certamente travessuras!

domingo, 13 de setembro de 2015

As revelações de um galo cantante

Adoro as noites, em especial as noites de lua cheia. São místicas e misteriosas. Me deixam pensativo, permitindo expandir a imaginação.  Mas nem todas as noites são de lua cheia, e mesmo assim continuam despertando minha consciência. Foi exatamente isso o que aconteceu.
Estava tentando dormir e não conseguia, pois existia um problema de difícil solução. Nunca pensei que pudesse passar por isso em meio a cidade grande! Mas aconteceu. Um galo. Um galo cantante. O galo resolveu cantar durante toda a noite. Como pode? O que fazer? Levantei da cama e iniciei uma pesquisa na internet sobre o canto noturno do galo. Foram várias as explicações. Um site dizia que era o chamado da morte, outro afirmava que era o chamado da chuva. Um dizia que era a demarcação de território, outro dizia que era a dança do acasalamento para atrair fêmeas. Não sei em quem acreditar! O site que mais chamou minha atenção dizia para comprar um facão, ou melhor, um cutelo, e decapitar o galo. Não tenho essa coragem! Nada de respostas, apenas sugestões pouco fundamentadas. Já eram 04h da manhã, e o galo... O galo cantava feliz da vida. Qual a lógica em comprar um galo e cria-lo em uma metrópole? O galo ficou louco, pensei!
Quando iniciava o cochilo, o canto me despertava. Nesses momentos queria mesmo era comprar o cutelo. Que noite! Entretanto, percebi algo interessante. Na verdade, não era o galo que estava tirando meu sono. Existia algo muito mais profundo. O galo era apenas um instrumento para o despertar da consciência. Percebi que nossa consciência gosta de dormir bastante, e recusa-se despertar.
Enquanto o galo cantava, pensava nos lixos mentais que acumulamos. Como caminhões de lixo, assim muitas vezes encontramos nossas mentes. Ressentimentos, magoas e frustações, são apenas alguns exemplos de lixos mentais. Pensava sobre tudo isso. Refletia sobre as dores do mundo, como somos difíceis. Temos dificuldades para viver em grupo, queremos ser o foco das atenções, queremos, queremos e queremos.... Na verdade, queremos suprir nossas carências. Queremos ser os donos da verdade. Queremos o sucesso a qualquer preço.
Enquanto o galo cantava, lembrei de um grande filosofo chinês chamado Confúcio. Ele afirmava que precisamos exercitar a coragem, a sabedoria e a benevolência. Coragem para destruir os velhos conceitos entranhados na mente. Sabedoria para entender que ser o dono da verdade não significa inteligência, muito pelo contrário, significa a falta dela. Benevolência para contribuir com o sucesso do outro, e consequentemente ter a ajuda para conseguir o seu sucesso. Pois sabemos que dessa forma o universo irá conspirar a nosso favor. Não tenha dúvidas. 
Enquanto o galo cantava, a minha consciência despertava. Percebi que muitos ainda apresentam essência de gladiadores prestes a entrar no Coliseu. Gostam de destruir o próximo. Percebi que muitos agem como os crocodilos, derramando uma falsa lágrima, somente para impressionar. Percebi que a grande maioria ainda age como o lobo mau da fábula da chapeuzinho vermelho, são verdadeiros dissimuladores, escondendo seu verdadeiro propósito para conseguir o objetivo.
Depois disso tudo pensei: Esse galo despertou minha consciência. Talvez esse tenha sido o objetivo do vizinho. Despertar a sua própria consciência, não sei! Por fim, na manhã seguinte, fui até uma loja que vende pintinhos e comprei três. Presenteie meus melhores amigos e disse: “Não se espante, logo verá a importância dele.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Assim sou eu

Sou andarilho das estradas da vida.
Ando nos trilhos, mas sou andarilho.

Sou ave sem direção em busca do ninho
Mas buscando o ninho encontro a direção
Sou bala perdida sem destino meio confusa
Mas sei encontrar meu destino quando no meio da confusão
Sou cometa girando a órbita terrestre sozinho
Mas todos sabem que cometas não andam sozinhos
Sou marionete controlada pelas mãos dos outros
Mas sei que consigo cortar os cordéis e reclamar o controle

Sou andarilho das estradas da vida.
Ando nos trilhos, mas sou andarilho.

Sou aquele zangão zangado fora da colmeia
Mas quando expurgado sei levar a chave da cadeia
Sou aquele peixe fora d’água debatendo-se na praia
Mas sei encontrar minha praia quando cheio de mágoa
Sou aquela árvore amaldiçoada que não dá frutos
Mas ao invés dos frutos sei abençoar com uma sombra adorada
Sou aquele vulcão que derrama sua lava ao entrar em erupção
Mas sei lavar o local da explosão apagando o fogo do vulcão  

Sou andarilho das estradas da vida.
Ando nos trilhos, mas sou andarilho.

Tem momentos que sou andarilho andando sob os trilhos
Tem momentos que sou andarilho andando sobre os trilhos
Tem momentos que pareço ser forte
Tem momentos que percebo que sendo fraco pareço forte
As vezes sei me esconder detrás da fortaleza
As vezes usando uma máscara consigo esconderijo
As vezes sei representar situações como um personagem
Só que muitas vezes o personagem simula situações esquecendo do seu esconderilho
E esse personagem não mais representa, apresenta sua figura autêntica
Assim sou eu

Sou andarilho das estradas da vida.
Ando nos trilhos, mas sou andarilho.

Poema escrito por Bruno Pitanga com a coparticipação do espírito de Anna Luíza Ferrão Teixeira (1879-1940).

Andando nos trilhos e fora deles.
Fonte imagem: mochileiros.com
 

sábado, 1 de agosto de 2015

Barba branca e chapéu na cabeça

“Nosso anjo usa o lábio dos outros para conversar conosco. Preste atenção”. Disse Paulo Coelho.
Penso diferente desse escritor, pois se assim fosse dificilmente iriamos conversar com nosso anjo. Muitos não têm tempo para esse diálogo. Mudo, assim iria ficar nosso anjo! Alguns até conseguem o precioso tempo para conversar, mas esquecem que palavras ditas sem sentimento tornam-se muitas vezes malditas. Será mesmo que falando dessa forma estamos conversando com nosso anjo? Já dizia Zeca Baleiro: “Eu não sei dizer. O que quer dizer. O que vou dizer. Eu amo você. Mas não sei o que. Isso quer dizer”. Por isso, nem sempre são os lábios dos outros que nosso anjo usa. Ele pode utilizar também outro recurso surpreendente.
Certa vez, durante uma viajem internacional, percebi que no avião seria quase impossível um diálogo com alguém, pois a maioria dos viajantes eram alemães. Logo pensei, será um verdadeiro tedio! Oito horas e meia mudo e calado. Não suportaria!
Mas a vida sempre tem uma lição para nos dar. Levantei para ir ao banheiro, a fila estava enorme. Um senhor Alemão aguardava sua vez, depois dele logicamente seria eu. Mas na espera, por incrível que pareça, começamos um diálogo. Mas que diálogo seria esse já que não sabíamos falar a língua um do outro?
Iniciamos a primeira sintonia através do olhar, por traz desse olhar um sorriso, traduzido em: olá, oi. Ainda na fila, uma situação engraçada. Turbulência, muita turbulência, que obrigou todos a segurarem em alguma coisa ou voltarem para seus lugares. Neste momento, outro sorriso, que traduziu em: posso te ajudar? Seguramos um no outro, pois não havia outro local, a não ser o ombro do próximo. E lá ficamos, um segurando o outro, até a poeira baixar. Quando a turbulência passou, outro sorriso, desta vez materializando um muito obrigado. Sorrimos muito, assim agradecemos a segurança. Por fim, o momento de ele entrar no banheiro chegou. Mas antes de fechar a porta, outro sorriso, simbolizando alegria. Após uma longa espera finalmente a bexiga seria esvaziada. Quando saiu do banheiro, o último sorriso. No entanto, desta vez, esse sorriso veio acompanhado de um forte abraço simbolizando a despedida, pois sabíamos que não mais nos encontraríamos naquele avião. Depois disso, entrei pensativo no toilet.
Saindo do banheiro iniciei uma conversa comigo mesmo. Pensei que a barreira da língua não é o problema quando existe sentimento de alegria e afeto. Pensei que um sorriso transcende a linguagem oral e permite a comunicação não verbal. Foi uma viajem que pude conversar bastante, mesmo não falando uma palavra em Alemão. Percebi que quando estamos abertos, sem preconceitos, podemos conversar mesmo calado. Martin Luther King, líder de movimento pacifista, afirma: “Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios”. Fiódor Dostoiévski, um dos maiores escritores russos, diz: “Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente”.  
Surpreendente viagem aérea! Eu que pensei que seria entediante, que não teria companhia alguma, me surpreendi. Encontrei dois ótimos companheiros. Que me ensinaram novos valores, e me mostraram que o sorriso precisa ser exercitado para permitir a aproximação do nosso anjo. Sorrindo abrem-se as portas para um excelente dialogo! Primeiro o sorriso, depois as palavras ditas com sentimentos. Das duas companhias apenas uma ainda está comigo. Minha consciência! Bom que pude apresenta-la ao jovem senhor de barba branca e chapéu na cabeça. 
Fonte Imagem: www.maximumwallhd.com

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O suspiro e o tiramisù

Quem me conhece sabe: Adoro os doces! Já ouviram aquela música de Marisa Monte chamada “Não é proibido”? Diz o refrão: “Jujuba, bananada, pipoca, cocada, queijadinha, sorvete, chiclete, sundae de chocolate”. Toda vez que escuto essa música minha boca enche d´água! Enfim, preciso mesmo é entender que na idade em que me encontro tudo isso já está quase proibido.
Mas assim mesmo às vezes piso o pé na jaca.  Acabei de lembrar!  Doce de jaca, outra delícia que Marisa Monte esqueceu de adicionar no refrão. Lembrei também do suspiro e do tiramisù.  Dois doces italianos magníficos. O primeiro a base de clara de ovos, açúcar e limão. Já o segundo; queijo, leite e café. Quem ainda não experimentou já está perdendo tempo. Corra, pois a vida é muito curta! Alguns sábios chefes conseguem combinar esses doces. Suspiro com tiramisù. Quanta inovação! Tão diferentes, mas harmonizam-se perfeitamente.
Aproveitando o gancho acima “tão diferentes, mais harmonizam-se perfeitamente”. Faz lembrar outra coisa. Será que conseguimos viver assim? Em perfeita harmonia em meio a tantas diferenças? Como disse Caetano Veloso na música Sampa: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”.  Se não for igual na forma de pensar, agir, vestir, comer e falar não teremos harmonia nem paz.  Seria muito bom se vivêssemos em um mundo onde a harmonia prevalecesse. Como o suspiro e o tiramisù. Seria entediante viver em um mundo com iguais, as diferenças são fundamentais para nosso amadurecimento.
Certa vez, em um seminário realizado por alunos, tive uma surpresa interessante. Iriam falar sobre felicidade, no entanto, convidaram um Gótico. Me perguntei, como pode um Gótico falar sobre felicidade? Tinha uma imagem bastante negativa dos Góticos, pois associava com cemitério, drogas, morte e depressão. Onde está a felicidade em meio a tanta tristeza? No início fiquei bastante impaciente e inquieto, já estava pronto para zerar o seminário dos alunos. O que não imaginava era que meu conceito de Gótico seria redefinido. Logo meus preconceitos seriam exorcizados. No meio do seminário a garotinha Gótica invadiu meu castelo de ideias, conceitos e rótulos, e acionou um explosivo poderoso. Minutos depois, conseguiu detonar esse castelo. Pum... tudo destruído! Fiquei literalmente sem chão. No entanto, incrivelmente a própria garotinha ajudou na reconstrução de um novo castelo, tijolo por tijolo. Uma nova fortaleza de conceitos foi erguida. Excelente seminário! Entendi o verdadeiro significado do ser Gótico, compreendi a definição da felicidade para eles. Nunca viveria como um Gótico, mais compreendi sua essência e princípios, coisas que não sabia.  Quebrei meu espelho de Narciso, e pensei no suspiro e no tiramisù. Tão diferentes, mas em perfeita harmonia!
A garotinha Gótica agiu com aquele sábio chefe que combinou os dois doces. Estimulou a harmonização e a inovação de conceitos, sem impor dogmas ou forçar ideologias. Utilizando como explosivo apenas o conhecimento.  Precisamos nos permitir conhecer o novo. Abrir a mente para as novas formas de pensar. Como disse Raul Seixas: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Metamorfose, palavra belíssima! Adoro a metamorfose. Sou apaixonando pela mudança.
Depois disso tudo, degustar o suspiro e o tiramisù é uma excelente opção. Procure um local que tenha um chefe com sabedoria para destruir, e paciência para reconstruir conceitos. Esteja aberto a experimentar o novo, certamente não irá se arrepender.  Somos diferentes, mas podemos buscar o equilíbrio. Afinal de contas, é na combinação das diferenças que encontramos a paz, fator essencial para a harmonização do universo.   
Suspiro com Tiramisù. Fonte imagem: http://www.yelp.com




segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sinto muito

Sinto muito por todos,
Sinto muito. Sinto muito mesmo.
Como uma vela que acaba seu fogo, assim me sinto.
Preciso do fogo. O fogo que alimenta minha alma de sentimentos.
Saudade, serenidade, sinceridade, solidariedade. Sumiram!!!
Como parafina que sustenta o fogo da vela. Somente teremos o sucesso, quando esses sentimentos retornarem.
A vela queima. Vai queimar até esgotar suas forças. Observem uma vela.
Minhas forças acabaram. Desisto. Não há o que possa ser feito.
Desisti de tentar acender a vela das pessoas, todos já estão com o pavio curto.
Saudade. Não existe mais. Existem apenas lembranças de momentos, mas que logo também serão esquecidos.
Serenidade. Não existe mais. Existe apenas uma espécie de calmaria, mas que logo é destruída quando exige autocontrole.
Sinceridade. Não existe mais. Existe muita falsidade. Todos são falsos, inclusive consigo mesmo.
Solidariedade. Não existe mais. Muitos tentam, mas gostam da solidariedade paga. E gostam do pagamento imediato.
O pavio está curto. Curto ao ponto de queimar o castiçal, mas antes de queima-lo, o fogo vai apagar.
Preciso do fogo. Muitos já tentaram levar esse fogo em uma tocha e reascender em todos esses sentimentos.
Tentaram ensinar a sentir a verdadeira queimação de uma saudade. Mas sentem saudade na velocidade que queima a pólvora.  
Tentaram ensinar a sentir serenidade. Já olharam uma fogueira queimar? Serenamente vemos o fogo consumir a madeira. Mas vejo muitos colocarem lenha na fogueira evitando a serenidade.
Tentaram ensinar a sentir sinceridade. Mas como? Foi queimada completamente da essência humana.
Tentaram ensinar a sentir solidariedade. Até tentamos ajudar o amigo a acender sua chama. Mas logo mais tentaremos de alguma forma cobrar nossos direitos.
A vela apagou. Não aguento mais. Não quero mais. Não preciso mais.
Espero que consigam acender a chama dos sentimentos.
Muitos estão com a chama na mão, como uma tocha. Tentando acender a vela das pessoas.
Permita que acendam sua vela.
Os sentimentos retornarão. Seus sentimentos voltarão.
Não desistam como eu. Estou sendo fraco.
Sinto muito.
Sinto muito mesmo.  
Carta poema produzida por Bruno Pitanga através do espírito de Filippo Marinetti (1876-1944). 


quinta-feira, 4 de junho de 2015

A trilha das possibilidades

“Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão(...)”. Bela estrofe dos Engenheiros do Hawaii.
Um dia me disseram. Já me disseram tantas coisas, que nem sei mais o que é verdade ou mito. Todos gostam de opinar sobre determinado assunto, apresentando sua opinião de forma preconceituosa, sustentadas apenas por suas convicções. Dizem: “Que se dane a opinião do outro, a minha deve prevalecer”. Precisamos entender que existem possibilidades, palavra que considero bastante desafiadora, pois afirmar que sua opinião é uma possiblidade fará revelar possibilidades de respostas. Claro que para alguns assuntos não existem possibilidades, mas para muitos outros... Disse Albert Einstein “O segredo da criatividade está em dormir bem e abrir a mente para as possibilidades infinitas”.
Sobre a vida? Possibilidades. Sobre a morte? Possibilidades. Sobre a saúde? Possibilidades. Sobre a doença? Possibilidades. Possibilidades e possibilidades. São muitas as possibilidades. Não tenho mais paciência para conversar ou debater com pessoas que não estão abertas às possibilidades. A cada dia reconheço que não sabemos tanto quanto imaginamos. Nosso conhecimento é bastante limitado.
Penso que não precisa forçar o outro a aceitar a sua verdade. A sabedoria está em deixar o outro reconhecer, de acordo com seus princípios, a sua própria realidade. O verdadeiro sábio não aceita nem impõem dogmas, pois já percebeu que a verdade absoluta é limitada. Concorda também que ter rótulos não representa a sabedoria. Precisamos refletir: Quantos rótulos fazem parte da minha vida? Aceito as possibilidades? Reconhecer os rótulos e aceitar as possibilidades nos direcionará para a verdadeira essência da sabedoria.
Certa vez resolvemos fazer uma trilha em uma reserva de mata atlântica. No entanto, em um determinado momento parecia que estávamos perdidos. Foi então que por ali passava um senhor. Rapidamente me aproximei desse senhor e perguntei: “Senhor, estamos perdidos. Poderia nos apontar o caminho para o vilarejo”? Sabiamente o senhor respondeu: “Existem duas possibilidades”! E descreveu-as. Voltei para o grupo e apresentei as possibilidades, ao que responderam: “Poxa Bruno, não queremos possibilidades, precisamos voltar para o vilarejo”! Fiquei sem respostas. O Senhor percebendo a confusão se aproximou e disse: “Apresentei possibilidades, não existe caminho melhor ou pior, apenas possibilidades. Aquele que escolherem os levará ao vilarejo com o mesmo tempo e segurança”. Respiramos fundo, agradecemos ao senhor, e partimos.
Esse episódio nos mostra que não gostamos das possibilidades, preferimos a resposta pronta e rotulada. Mas quase tudo são possibilidades. Gostamos de ser direcionados para alguma verdade, pois muitas vezes não temos paciência para pensar sobre as possibilidades. Assim ficamos refém de determinado conhecimento sem nem mesmo refletir sobre aquilo que estamos pensando. Muitos não têm opinião, estão escravizados por opiniões dos outros. Precisamos ter nossa opinião. Por isso, na minha infância, quando me disseram que as nuvens não eram de algodão, pensei: “Tudo bem, mas essa é uma possibilidade”!

Hyde Park. Londres.
 Fonte: www.panoramio.com

domingo, 3 de maio de 2015

Ordem natural das coisas

Em uma tarde qualquer presenciei uma cena muito emocionante. Ao voltar de um compromisso, indo em direção ao carro, observei que algo se movia atrás de um arbusto. A princípio fiquei assuntado, mas a curiosidade foi muito maior. Aproximei-me com atenção e cuidado, e observei que realmente existia algum ser naquele local. Balancei o arbusto e de lá saiu pulando um pássaro. Isso mesmo, um passarinho. Olhei atentamente e observei que estava com uma das asas quebrada. Ironia do destino, pois pássaros sem asas são alvos fáceis para os predadores. Nesse momento, coloquei-me no lugar daquele passarinho, pude sentir sua aflição, desespero e medo. Logo pensei, vou ajuda-lo. Tentei pegar a ave, mas todas as tentativas foram em vão, o pássaro com muita rapidez sempre conseguia um esconderijo secreto inacessível às minhas mãos. E pensei comigo mesmo, o que fazer? Deixar fluir o ciclo natural ou interferir no processo?
Sentei no chão, fitei o olhar no pássaro e inicie o processo de reflexão para tomar a decisão certa.
O passarinho por algum descuido quebrou sua asa. Deveríamos aceitar esse fato com mais naturalidade, pois obedece o ciclo natural. Por outro lado, um ser tão frágil e inocente que nada fez. Por que não ajuda-lo? Como disse Samuel Rosa e Chico Amaral na música Três Lados “meu desejo e meu bom senso, raivosos feito cães.” Exatamente assim me sentia. O que fazer? Continuei observando o passarinho e filosofando.
Pensei em São Francisco, protetor dos animais. Mas o próprio Santo nos alerta que devemos ter resignação para aceitar o que não pode ser mudado. Pensei em Marcel Proust, quando disse: Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras. Lembrei também de Lya Luft, romancista, poetisa e tradutora brasileira, quando diz: "A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade…"
A realidade dói. Muitas vezes é insuportável conviver com nossa realidade. Por isso, preferimos viver um eterno romance, sendo românticos com a vida, mas precisamos ser realistas. Encarar a realidade de frente. Aceitar e resignar-se. Partindo desse princípio fica mais fácil compreender nosso desconforto, pois não aceitamos a nossa realidade. Tristeza e alegria, saúde e doença, riqueza e pobreza, vida e morte, tudo isso é natural. Podemos comparar a vida a uma montanha russa. Iniciamos uma longa e árdua subida, atingimos o topo, aproveitamos a bela vista lá do alto. No entanto, a descida é obrigatória. Assim é a vida, subidas (alegria, saúde, riqueza e vida) e descidas (tristeza, doença, pobreza e morte). Precisamos encarar tudo isso com mais naturalidade. Não adianta revoltar-se, pois tudo isso faz parte da vida. É natural!
Depois de todas essas reflexões ainda não tinha decidido sobre o destino do passarinho. Mas a própria natureza tomou sua decisão, que aceitei com bastante tranquilidade.
Bem ao lado da ave, a cerca de um metro de distância, lá estava, faminta, uma gata gestante. Que aguardava o momento oportuno para saciar sua extrema fome e continuar gerando seus filhotes. Segundos depois se lança sobre o passarinho e o mesmo é imobilizado e abatido. Sábia natureza, ao mesmo tempo acabou com o sofrimento dos dois animais.
Por fim, pensei. Magnífica aula a professora natureza ministrou. Segue o resumo: Não podemos interferir na ordem natural das coisas. Não cabe a nós especularmos sobre a sabedoria da natureza. Portanto, precisamos aceitar a vida como ela é.   


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Buraco na alma

A cidade de Berlim é sem dúvida uma escola. Um local de reflexões profundas sobre reforma, reconstrução e, é claro, crescimento moral.
Suas ruas ainda choram as cicatrizes da segunda guerra mundial. É possível observar ao caminhar pela cidade igrejas, museus e até mesmo prédios residenciais com marcas de balas. A cidade de Berlim ainda apresenta o cheiro da pólvora. Enfim, marcas de um passado próximo que ainda grita.
Ao analisar todo esse cenário surge uma reflexão: Qual o sentido em ainda mostrar as marcas de uma guerra? Existem duas possibilidades de respostas: atrair turistas ou expor ressentimentos. Penso que a segunda resposta seja a mais apropriada. Precisamos mostrar que estamos ressentidos, caso contrário nossas carências não terão a atenção desejada.
Alguém ressentido terá a necessidade de falar sobre seus sentimentos e, para isso, deixará suas fragilidades expostas. Quando trabalhamos os ressentimentos não precisamos mais falar sobre o sentimento passado. Podemos lembra-los, mas jamais necessitar expô-los. A superação de um ressentimento nos torna fortes, verdadeiros Hércules. Por isso, caminhar nas ruas de Berlim faz pensar: quantos ressentimentos ainda precisamos expor para que tenhamos em troca a atenção? A verdadeira superação é livre de qualquer ressentimento. 
No entanto, a reconstrução dessa cidade foi fantástica. Praticamente toda a cidade foi reconstruída após a segunda guerra mundial. O mais impressionante foi a rapidez. Nesse contexto, penso que a rapidez da reconstrução vai contrário a cura do ressentimento. Para trabalhar um ressentimento é necessário tempo. Nada adianta correr para reconstruir e ainda continuar ressentido. Discordo de Caetano Veloso quando diz na música Chuvas de verão: “Ressentimentos passam como o vento, são coisas de momento, são chuvas de verão.” É um pensamento bastante romântico, lindo. Mas não é isso que observamos. Utilizamos uma maquiagem para esconder nossos problemas, mas na verdade continuamos profundamente destruídos.
Com isso, observamos pessoas que se dizem reconstruídas ou reformadas pouco tempo após algum conflito. Dizem que estão bem. Na verdade não é isso que acontece. Percebo que desejam expor suas magoas e, no mesmo momento, revelam suas cicatrizes ainda abertas.  Essas pessoas não têm paciência para a verdadeira reconstrução. Preferem engana-se a procurar ajuda.
Por isso, precisamos nos aliar ao tempo com bastante paciência. Desta forma transformaremos esses ressentimentos em degraus para o crescimento moral.  Devemos lembrar que os problemas que enfrentamos são de fundamental importância. Não conseguiríamos o amadurecimento moral sem eles. Paciência, essa é a palavra certa. Paciência é o verdadeiro remédio para qualquer ressentimento. Muitas vezes não estamos maduros o suficiente para resolver determinado problema, mas com paciência poderemos adquirir a maturidade para entender a importância daquele momento vivido.  Assim conseguiremos o avanço moral. Já na música oração ao tempo também de Caetano Veloso, concordo plenamente quando diz: “(...) tempo, tempo, tempo, tempo és um dos deuses mais lindos(...)”.

Marcas de bala nas paredes do Neues Museum, Berlim - Alemanha.
Foto: Gustavo Rodrigues. 

domingo, 8 de março de 2015

A essência do pavão

O pavão e a águia são aves belas. Bastante diferentes, mas que se igualam na beleza. Caso pudéssemos escolher uma máscara dessas aves, qual usaríamos? O pavão vive cerca de 20 anos, não voa, não canta, é inofensivo e capaz até de ser domesticado. Já a águia vive cerca de 35 anos, voam muito alto, apresenta um canto de arrepiar e é quase impossível sua domesticação.  Mas a beleza das duas são deslumbrantes! E a máscara, qual usaríamos? 
Certamente escolheríamos a máscara da águia, pois nela existem muitas qualidades. Essa máscara nos tornaria tão imponente como esta ave. Iriamos parecer forte. A águia é capaz de abater até mesmo o pavão. Seriamos capazes de intimidar facilmente o próximo. Mas poucos são aqueles que usam essa máscara e conseguem viver a essência das águias. Aqueles que voam alto, não para humilhar ou amedrontar, mas para estimular o outro a conseguir elaborar o mesmo voo e chegar na mesma altura.
E a máscara do pavão? Escolher a máscara dessa ave significa reconhecer suas limitações. Não voa, vive menos e é inofensivo. Poucos têm a coragem para reconhecer e expor suas limitações. O pavão, mesmo que esteja diante de uma águia, não fica intimidado, tem a coragem e a força para abrir suas penas e apresentar sua beleza. Todos, sem exceção, param seus afazerem para contemplar tamanha maravilha. O pavão nos faz lembrar que apesar de todas as nossas limitações sempre existe, em nossa essência, alguma maravilha que esquecemos. Materializar o pavão nos estimula a colocar essas maravilhas como evidência, não nos importando com as nossas limitações.
Claro que as máscaras das aves estão colocadas no sentido figurado. Na verdade precisamos refletir sobre a personalidade dessas aves e relacionar com a nossa. Envergonhar-se das próprias limitações mostra imaturidade emocional. Quando tivermos a coragem de nos assumir como um pavão certamente encontraríamos a paz. Sim, podemos encontrar essa paz observando a personalidade das águias, mas também corremos o risco de nos deixar envolver pelo orgulho e vaidade, pois como já disse, são muitas as qualidades dessa ave.
Águia ou pavão, não importa. O importante é reconhecer suas limitações e valorizar suas virtudes. Não duvide, todos temos virtudes. As vezes a vergonha das limitações nos paralisa, mas como o pavão precisamos manter a cabeça erguida. Como disse o rei do reggae Bob Marley “Não precisa ser perfeito. Pra mim, basta que seja verdadeiro.” Ser quem realmente somos, viver nossa essência, respeitar e aceitar nossas limitações, sem precisar maquia-las, esse é o desafio.   
Pavão dourado. Fonte imagem: www.imagenswiki.com