sexta-feira, 17 de julho de 2015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O suspiro e o tiramisù

Quem me conhece sabe: Adoro os doces! Já ouviram aquela música de Marisa Monte chamada “Não é proibido”? Diz o refrão: “Jujuba, bananada, pipoca, cocada, queijadinha, sorvete, chiclete, sundae de chocolate”. Toda vez que escuto essa música minha boca enche d´água! Enfim, preciso mesmo é entender que na idade em que me encontro tudo isso já está quase proibido.
Mas assim mesmo às vezes piso o pé na jaca.  Acabei de lembrar!  Doce de jaca, outra delícia que Marisa Monte esqueceu de adicionar no refrão. Lembrei também do suspiro e do tiramisù.  Dois doces italianos magníficos. O primeiro a base de clara de ovos, açúcar e limão. Já o segundo; queijo, leite e café. Quem ainda não experimentou já está perdendo tempo. Corra, pois a vida é muito curta! Alguns sábios chefes conseguem combinar esses doces. Suspiro com tiramisù. Quanta inovação! Tão diferentes, mas harmonizam-se perfeitamente.
Aproveitando o gancho acima “tão diferentes, mais harmonizam-se perfeitamente”. Faz lembrar outra coisa. Será que conseguimos viver assim? Em perfeita harmonia em meio a tantas diferenças? Como disse Caetano Veloso na música Sampa: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”.  Se não for igual na forma de pensar, agir, vestir, comer e falar não teremos harmonia nem paz.  Seria muito bom se vivêssemos em um mundo onde a harmonia prevalecesse. Como o suspiro e o tiramisù. Seria entediante viver em um mundo com iguais, as diferenças são fundamentais para nosso amadurecimento.
Certa vez, em um seminário realizado por alunos, tive uma surpresa interessante. Iriam falar sobre felicidade, no entanto, convidaram um Gótico. Me perguntei, como pode um Gótico falar sobre felicidade? Tinha uma imagem bastante negativa dos Góticos, pois associava com cemitério, drogas, morte e depressão. Onde está a felicidade em meio a tanta tristeza? No início fiquei bastante impaciente e inquieto, já estava pronto para zerar o seminário dos alunos. O que não imaginava era que meu conceito de Gótico seria redefinido. Logo meus preconceitos seriam exorcizados. No meio do seminário a garotinha Gótica invadiu meu castelo de ideias, conceitos e rótulos, e acionou um explosivo poderoso. Minutos depois, conseguiu detonar esse castelo. Pum... tudo destruído! Fiquei literalmente sem chão. No entanto, incrivelmente a própria garotinha ajudou na reconstrução de um novo castelo, tijolo por tijolo. Uma nova fortaleza de conceitos foi erguida. Excelente seminário! Entendi o verdadeiro significado do ser Gótico, compreendi a definição da felicidade para eles. Nunca viveria como um Gótico, mais compreendi sua essência e princípios, coisas que não sabia.  Quebrei meu espelho de Narciso, e pensei no suspiro e no tiramisù. Tão diferentes, mas em perfeita harmonia!
A garotinha Gótica agiu com aquele sábio chefe que combinou os dois doces. Estimulou a harmonização e a inovação de conceitos, sem impor dogmas ou forçar ideologias. Utilizando como explosivo apenas o conhecimento.  Precisamos nos permitir conhecer o novo. Abrir a mente para as novas formas de pensar. Como disse Raul Seixas: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Metamorfose, palavra belíssima! Adoro a metamorfose. Sou apaixonando pela mudança.
Depois disso tudo, degustar o suspiro e o tiramisù é uma excelente opção. Procure um local que tenha um chefe com sabedoria para destruir, e paciência para reconstruir conceitos. Esteja aberto a experimentar o novo, certamente não irá se arrepender.  Somos diferentes, mas podemos buscar o equilíbrio. Afinal de contas, é na combinação das diferenças que encontramos a paz, fator essencial para a harmonização do universo.   
Suspiro com Tiramisù. Fonte imagem: http://www.yelp.com